quinta-feira, 10 de abril de 2014

06.04-2014 BRAGA-PONTE DO PORTO-VALDOZENDE-SANTA ISABEL-TERRAS DE BOURO-PONTE DO BICO-BRAGA 80KM

BRAGA-PONTE DO PORTO-VALDOZENDE-SANTA ISABEL-TERRAS DE BOURO-PONTE DO BICO-BRAGA 80KM
Depois da volta de terça feira debaixo de chuva intensa, queria continuar a colocar a fasquia alta e estava decidido a atacar Santa Isabel do Monte, uma das subidas mais míticas aqui na zona de Braga.
Infelizmente quase ninguém do grupo podia pedalar e foi à ultima hora que o Simão confirmou a sua presença. Até sábado à noite, estava decidido em atacar a vertente de Terras de Bouro para Santa Isabel, uma subida menor, mas com um grau de dificuldade ainda maior. Domingo de manhã, devido a ter trabalhado até tarde sábado, e trabalhar domingo, decidi atacar a vertente que começa em Valdozende. Quanto à subida, tenho de falar mais concretamente depois de ver o track do pequeno buda. Conto brevemente, fazer um apanhado das inclinações médias e da altitude dos picos mais altos aqui da zona. Era bom que o pequeno buda
ajudasse neste tema. Como alguns camaradas não conhecem este pico, resumidamente e sem precisão, tem 4, 5 kms a subir com rampas de 5% até 8%, por vezes até, inclinações menores e alguns, pequenos descansos. Depois de entrar na aldeia de Ventuzelo, penso ser este o nome, 3 km com pendentes a variar entre 9% e 13%. O último km, e especialmente, os últimos 500 m antes da placa de Santa Isabel são duros, com rampas entre 14 e 16%. Muita dureza, e a bicicleta parece que não anda.
Vamos começar pelo princípio. Havia mais um ciclista previsto para este volta, o Gaulês Stephane Girardin, que, ou se assustou com a volta, ou então adormeceu. Hoje não era dia para atrasos e ficou para trás. Passámos a Confeiteira, onde um carro jazia na berma, abandonado. Talvez um pequeno despiste que não estava fácil de resolver.
Ao passarmos junto à ponte do Porto avisto um ciclista a vir de Monsul, que seria o protagonista da jornada. De seu nome Basílio, trazia vestido, apenas uns calções da marca AGU, bastante roçados, sinal de que já fizeram muitos kms, e uma simples camisola Berg. Sem tecnologias, sem conta kms, apenas o telemóvel no bolso traseiro do jersey. Nem uma barra, nada. Apenas a ilusão de pedalar. O ritmo dele era mais forte que o nosso mas ao passar pornós resolveu ir connosco até ao Rio Caldo, seguindo depois para as Cerdeirinhas.
A conversa fluiu com o passar dos kms e fui conhecendo melhor o nosso amigo Basílio. Depois de ter trabalhado 40 anos em França, regressou a Portugal para gozar a merecida reforma. Este amigo, já conta no currículo com 67 primaveras, sim, 67. Percebi, que muitas vezes, o maior entrave é a nossa própria cabeça.
Pedala quase todos os dias, quando o tempo está bom. Pernas talhadas por muitos kms em cima da bicicleta, pronúncia com sotaque francês e muita alegria. Percebi rapidamente que é um conhecedor das estradas aqui do Minho. De pedalada folgada era frequente vê-lo a encabeçar o mini grupo.
Chegado a Valdozende decide atacar a subida junto a nós. Subida que já conhecia e na qual tinha lutado com outro grupo, que o avisaram que seria duro, mas que posteriormente foram sendo eliminados até restar apenas um, o mais forte que ganhou a "etapa".
E que bem sobe o amigo Basílio, assim como rola e desce. Pode ser mais um camarada para rolar rápido nas saídas do grupo. Chegado a Terras de Bouro decide vir embora mais rápido porque tem visitas em casa. Cacei-lhe o número e prometi entrar em contato para outras saídas.
Menção honrosa também para o amigo Simão, que sem travões se lançou nesta aventura. Ao seu jeito, sem medo, com o depósito bem atestado, com uma bela jantarada no dia anterior, de leitão e espumante. Podias ter convidado, Simão. Está a subir melhor e nota-se que a cadência e os andamentos são muito mais ajustados.
A paisagem da subida é fantástica. A da descida também, e convida a outras visitas com o resto do pelotão. É uma subida dura mas que compensa.
Mais um pico atacado na caminhada para objetivos maiores e empenos mais acentuados.
Palavra para o amigo Anselmo. Temos pensado em ti, regularmente, e temos aproveitado bem esta tua paragem. Estou a contar contigo na quinta ou sexta para Braga - Ponte do Porto - Rio Caldo - Ermida - Pedra Bela - Gerês - Campo - Vilarinho das Furnas - Brufe - Vila Verde Braga. Não podes deixar cair, agora, todo o bom trabalho de início de época.
Adorei ver a foto do almoço, dos amigos, António Barbosa e Fernando Sanches.
Quem me conhece, sabe o quanto eu adoro uma bela almoçarada depois de uma bela volta. Fui convidado e brevemente, conto passar um Domingo em companhia tão ilustre.
Hoje a crónica é cansada, como eu estou, mas sentida porque adoro este tipo de montanhas e constatar que o que importa é acreditar.
Brevemente, mais pedaladas por essas estradas fora.
Boa semana a todos.

100Pernas






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